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Segunda-feira, Julho 26, 2004

Deusa Vencida
Lilian Maial

Por teu amor renunciei a tudo,
desfiz-me em rimas de sonetos vãos.
Indivisível como o teu escudo,
só mesmo a brisa que me fez canção.

Teci mortalhas para um peito mudo,
que em noites frias de sofreguidão
eu desmanchava, rejeitando o luto,
como o ataúde de meu coração,

Em frente ao mar eu aguardei serena,
que as ondas tristes pela minha pena,
trouxessem vaga a me dizer tolices.

Daria meses, anos dessa vida,
se num murmúrio, mesmo distraída,
ouvisse enfim: -"Chegou o teu Ulisses".

Plantado pela Semeadora on 05:18 | *

Vozes no Trigal

Terça-feira, Julho 20, 2004

Dia do Amigo
Semida C. Rodesky
Amigo é aquele que não tem dia nem hora para estar a teu lado,
Que não se faz necessário chamar, pois aparece.
Mesmo quando menos esperas, é aquele capaz de te fazer rir.
Quando estás triste e mesmo que tua vontade seja chorar
Ele tem a capacidade invisível de secar o teu pranto
Alegrar a tua alma e remover todos os teus aborrecimentos

Amigo tem o A de amor, alegria, adorar e adorável.
M de melhor, mais procurado e de menos perturbar.
I de inteligente, de indomável e de irrestrito.
G de gracejar, ganhar, garantir sempre carinho e amor.
O de observador, obrigado por seres um de meus amigos.

Plantado pela Semeadora on 04:00 | *

Vozes no Trigal

Quinta-feira, Julho 15, 2004

Alguém em algum lugar
António Aleixo
Mal te olhei, quando te vi,
Temendo que o meu olhar
Te fosse fazer pensar
Que não pensei bem de ti.

Quando me encontro contigo
E não te posso falar
Com os meus olhos te digo
O que me diz teu olhar.

Com os cegos me confundo,
Amor, desde que te vi,
nada mais vejo no mundo,
quando não te vejo a ti.
Alguém em algum lugar
Recebi como se fosse de Luis Filipe Esteves, mas como o amigo Antonio diz que é de António Aleixo , aqui fica a devida correção.

Plantado pela Semeadora on 22:25 | *

Vozes no Trigal

Domingo, Julho 11, 2004

Reinvenção
Cecília Meirelles

A vida só é possível
reinventada.


Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... ¿ mais nada.


Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.


Não te encontro, não te alcanço...
Só ¿ no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só ¿ na treva,
fico: recebida e dada.


Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.



Plantado pela Semeadora on 13:59 | *

Vozes no Trigal


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