Hoje um quê de nostálgico teima em me envolver.
Já tentei escrever, mas a escrita não saiu ao meu sabor...
Encontrei este verso de Florbela Espanca, que como todos os seus poemas, são lindos.
Decidi compartilhar com os meus amigos.
Amiga
Deixa-me ser a tua amiga,Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.
Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim? O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por me dizeres!
Beija-me as mãos, Amor devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando ao sol no mesmo ninho...
Beija-me mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei para a minha boca!...
Muito lindo o escrito em sua resposta.
Não sou poeta e nem escritora.
Gosto de jogar palavras no papel,
Brincar de escrever sem pensar.
Toda vez que penso no escrito
leio, rasgo e jogo ao léu.
Na cesta de papéis,
já foram parar um monte de escritos
e rascunhos manuscritos.
Versejados ou não.
Histórias de amores perdidos
que pelo caminho foram ficando.
Esquecidos e amarelecidos
pelo tempo, que teima em não
querer parar para que os recupere.
Já que, reescrever a história é impossível.
Amores do passado e do presente
juntos, aos pedaços ou separados,
são sempre lembranças adoráveis,
são também a alegria enternecedora
de quem já viveu um grande amor.
Amigos, após este curto intervalo, baterias já re-carregadas para um novo período de atividades, estou retornando na minha marcha constante, enfrentando todos os labores da vida, afinal necessitamos todos continuar o nosso trabalho diário e já iniciei o meu.
Amigos
Ficarei uns dias sem escrever, como a Bisbilhoteira
também vou dar um tempo e entrar em recesso para
recarregar as baterias. Breve estarei de volta, mas até lá
fiquem com os versos de Fernando Pessoa para distrair.
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planíces
E que haja rochedos e ervas...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
"Exigimos de nós o que não pediríamos aos melhores amigos.
Não sejamos omissos, nem cúmplices, tampouco coniventes.
Da íntima frustração que escurece nosso olhar".